Existem live-actions que preferem expandir a história e modificar acontecimentos importantes da obra original, enquanto outros optam por seguir fielmente o material que os inspirou. “Moana”, por sua vez faz parte do segundo grupo e praticamente recria a animação cena por cena.
Porém, essa fidelidade acaba se tornando um dos maiores problemas do filme. Em diversos momentos, a produção transmite a sensação de que está apenas reproduzindo a animação em vez de construir uma identidade própria. É justamente aí que parte da magia se perde, pois mesmo respeitando a obra original, o live-action não transmite o mesmo encanto e emoção da animação.
Claro que ainda existem pequenas mudanças para adaptar a história ao formato live-action, afinal estamos falando de atores, e algumas sequências mais caricatas não funcionariam da mesma maneira. Isso fica evidente principalmente nos números musicais, que receberam pequenas alterações nas letras, além de um foco maior nas performances do elenco durante as canções. Ainda assim, são mudanças pontuais, que pouco acrescentam à narrativa ou justificam essa nova versão.
Dwayne Johnson e Catherine Laga’aia sustentam o elenco

Por outro lado, fica evidente que o elenco foi bem escolhido. Dwayne Johnson consegue trazer o carisma de Maui, tanto em suas falas quanto nas danças e piadas, que arrancam algumas risadas, mesmo que sua aparência cause certa estranheza em alguns momentos, principalmente pelo uso de uma peruca que acaba chamando mais atenção do que deveria. Não é uma atuação memorável, mas funciona bem dentro da proposta do personagem.
Catherine Laga’aia também entrega uma boa atuação. E é perceptível seu esforço para transmitir o carisma de Moana, principalmente à medida que a personagem evolui ao longo da história. Seja nas cenas musicais ou nos momentos mais dramáticos, a atriz consegue sustentar boa parte do peso emocional do filme.
Fotografia e efeitos visuais equilibram fantasia e realismo
Já nos aspectos técnicos, principalmente na fotografia e nos efeitos visuais, o filme apresenta-se agradável. Embora não utilize cores tão vibrantes quanto as da animação, ao retratar as ilhas, a vegetação, as praias e o mar com tons mais naturais, cria uma boa harmonia entre o surreal e o real, tornando esse universo mais palpável.
Te Fiti e o próprio mar são exemplos disso. Ambos equilibram muito bem o visual gráfico com a estética mais realista, criando transições naturais sem exagerar para nenhum dos dois lados. E fica claro que, talvez, se o filme utilizasse o verde-limão intenso ou o azul extremamente vibrante vistos na animação, entrasse no vale da estranheza, fazendo parecer artificial demais.
Vale a pena assistir ao live-action de Moana?
No fim, “Moana” pode não ser um filme ruim, mas fica evidente que dificilmente conseguira transmitir a mesma magia da animação.
O live-action de “Moana” estreia hoje!
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