Algumas sequências infelizmente não conseguem entender o seu propósito e acabam trazendo histórias rasas e sem equilíbrio, feitas apenas para ganhar dinheiro. Mas “Toy Story 5” é diferente, sendo um filme que, mesmo que à primeira vista possa parecer bobinho, consegue entregar uma trama profunda, divertida e visualmente bela.
Sua construção pode parecer meio confusa de início, já que tende a alternar entre as aventuras dos novos Buzz Lightyear tecnológicos e a trama de nossos personagens nos primeiros minutos, mas tudo vai se encaixando ao decorrer da história, ao ponto de entendermos o motivo de todos estarem ali. Assim, o filme traz uma história coesa e consegue desenvolver seus temas de uma maneira profunda.
Toy Story 5 aborda a tecnologia e o impacto das telas nas família
Essa profundidade é mostrada principalmente quando falamos sobre o tema da tecnologia, um assunto comum de ser abordado, mas que muitas vezes acaba sendo tratado de forma superficial. O filme consegue trabalhar esse tema de uma forma que entretém as crianças, mas impacta os adultos, já que, mostrar como as telas estão prendendo as crianças, traz uma crítica social muito forte, evidenciando como elas estão perdendo a infância e, ao mesmo tempo, perdendo os vínculos famíliares. Isso fica ainda mais evidente nas cenas onde o filme amplia para várias casas ao redor da vizinhança. Nelas, cada um está em seu próprio cômodo com um tablet, um PC ou um celular na mão, principalmente os pais, que também, de certa forma, estão viciados.
É uma cena que, apesar de simples, tem um impacto enorme, mostrando como a nossa sociedade mudou e como nossas crianças estão ficando.
Jessie ganha seu arco mais emocionante da franquia

Já a questão do tema de abandono, embora seja um tema que acompanhamos ao longo dos filmes, ganha uma nova dimensão ao ser explorada com a nossa protagonista, Jessie. Desenvolver uma história que remete ao abandono que ela sofreu, mas que ainda a afeta de uma maneira tão grande, vinculando o seu passado com seu presente com a Bonnie, mostrando que ela ainda não superou e tendo uma jornada para ela superar seu trauma, consegue dar uma ênfase maior à personagem, tornando-a quase humana. Sua evolução é transparente, e mostrar o seu medo, foi uma das melhores maneiras de desenvolvê-la como protagonista. Além de, claro, fazer com que nos identifiquemos com ela.
E quando chega à conclusão da jornada de Jessie e sua dona, mostrando que ela nunca se esqueceu de seu brinquedo e infância, apenas cresceu, o longa faz muito bem ao evocar uma grande sensação de nostalgia em nós que crescemos com essa franquia, relembrando nossos momentos de criança, além de mostrar que realmente nunca esquecemos daquilo que nos fez feliz.
Digamos que é um filme que consegue trazer a nostalgia e a atualidade ao mesmo tempo, pois entende o velho público e sabe que tem um novo público.
Claro, tanto o protagonista Woody, como do Buzz Lightyear, ficam mais secundários, mas não é algo ruim para essa trama, mesmo que o trailer tenha dado a entender que poderia ser o Woody.
Lilypad, a nova vilã de Toy Story 5
A vilã, que aqui é a Lilypad, também é bastante agradável. Ao utilizá-la como estopim para os acontecimentos do filme e expandir a trama para algo mais palpável, abordando a nova era em que estamos vivendo, o consumismo das telas e como elas estão cada vez mais separando as famílias, o filme faz dela uma personagem essencial para o desenvolvimento da história. É fácil identificá-la em qualquer adulto, já que, assim como muitas pessoas, ela também acredita saber o que é melhor para as crianças. É uma vilã fácil de entender, mas que traz um enorme background para o filme.
Aliás, fazer com que essa vilã compreenda o que fez de errado, também foi uma ótima sacada, pois mostra para as crianças que sempre podemos aprender com os nossos erros.
Animação e dublagem são destaques de Toy Story 5
Os aspectos técnicos novamente são um deleite, já que sabemos como a Pixar é excepcional nesses detalhes, evoluindo a cada filme. Aqui, cada detalhe é minucioso. Cada textura, uma costura malfeita ou aspecto da pele de algum personagem, seja de pano, metal ou plástico, beiram a perfeição. Se tiver algum erro de renderização, é muito difícil de perceber
E sobre a dublagem, não há muito o que dizer, já que os nossos dubladores mandaram muito bem, principalmente a nossa star talent, Maísa, que dá voz à Lilypad. Ela se encaixou perfeitamente no personagem.
Vale a pena assistir Toy Story 5?
“Toy Story 5” certamente é um filme gostoso de assistir e que entende esse novo público, transformando a trama em algo que, além de nostálgico, também é útil e relevante para a nova geração, dissertando os seus temas com sutileza.
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