Supergirl certamente é um filme muito agradável de se ver, mostrando que o gênero de herói pode ainda não ter morrido.
Toda a sua construção é coesa, tanto em sua história quanto nas partes frenéticas. Assim, mesmo que tenha seus momentos cômicos, apresenta um equilíbrio e mostra exatamente qual rumo está tomando.
E isso se dá muito por nossa personagem Supergirl, que Craig Gillespie, diretor do longa, construiu muito bem, baseando-se na HQ Supergirl: Mulher do Amanhã. A personagem não é apenas um alívio cômico ou uma heroína problemática que bebe para fugir da realidade, mas alguém extremamente densa, carregando um enorme peso emocional que ajuda a expandir esse universo.
E, assim, faz com que cada detalhe de sua história, desde a destruição de Krypton por uma explosão, até o nascimento de Kara Zor-El e sua fuga para Terra, levando aos acontecimentos desse filme onde Kara tem que derrotar o vilão Krem para ajudar a menininha Ruthye em sua vingança e salvar seu cachorro Krypto, seja fatídico e impactante para o desenrolar de sua trama.
Principalmente nos momentos em que conhecemos mais de suas nuances. Um exemplo é a cena em que ela revela sua história para Ruthye, pois explica ao público o motivo de ela ser uma personagem tão vazia emocionalmente e frequentemente recorrer à bebida para tentar esquecer suas dores, tirando aquela imagem que a gente pegou dela no filme do Superman.
Outro momento marcante acontece quando ela tenta impedir que Ruthye siga o mesmo caminho sombrio que ela trilhou, desencorajando a jovem a matar Krem. Porém, quando a menina deixa a cena, é a própria Supergirl quem executa o vilão. É uma escolha forte que mostra que, apesar de ter encontrado algum propósito novamente, as cicatrizes do seu passado continuam presentes, dando mais impacto para essa história.
Cada um desses momentos torna o filme mais denso e cheio de camadas.
As cenas de ação de Supergirl entregam batalhas frenéticas

Aliás, como já foi dito, o filme também acerta muito quando o assunto são as batalhas. As cenas de ação são frenéticas e bem coreografadas, conseguindo transmitir impacto mesmo nos momentos em que o CGI assume boa parte da movimentação aérea da personagem.
Claro que, como acontece com muitos filmes de super-heróis, não existe aqui uma grande inovação que reinvente o gênero. Ainda assim, isso não chega a prejudicar a experiência e faz com que seja um ótimo Blockbuster de herói.
Krem funciona, mas acaba ofuscado por Lobo e Supergirl
Apesar de possuir um visual grotesco e intimidador, Krem acaba ficando apagado diante do carisma de Lobo e da presença da própria Supergirl.
Ele funciona dentro da proposta da história, assim como acontece na HQ, servindo como peça fundamental para a jornada da protagonista. Porém, quem espera um antagonista memorável provavelmente sairá da sessão um pouco decepcionado.
Milly Alcock, Eve Ridley e Jason Momoa são destaques do elenco
Aqui fica perceptível que tanto Milly Alcock quanto Eve Ridley nasceram para interpretar Supergirl e Ruthye. As duas possuem uma química muito forte em cena e carregam boa parte do peso emocional da narrativa.
Jason Momoa também surpreende bastante como Lobo, mesmo com sua participação curta. O ator consegue transmitir todo o carisma, irreverência e presença que tornaram o personagem tão popular nos quadrinhos.
CGI, efeitos práticos e trilha sonora elevam a experiência
O CGI possui seus altos e baixos, como acontece em praticamente todos os filmes de super-heróis. Afinal, alcançar a perfeição em cenas de combate extremamente dinâmicas é algo muito difícil.
Ainda assim, em momentos mais contemplativos, como a representação de Krypton e de outros mundos visitados ao longo da trama, o resultado visual é bastante bonito.
Os efeitos práticos também merecem elogios. Tanto a construção dos alienígenas quanto a ambientação dos cenários são impressionantes. Criar mundos que realmente pareçam pertencer a outros planetas não é uma tarefa simples, e o filme consegue atingir esse objetivo com competência. Claro que a fotografia contribui bastante para isso, especialmente nas cenas envolvendo o planeta iluminado pelo sol verde.
Já a trilha sonora é bastante imersiva e ajuda a tornar as sequências de ação ainda mais impactantes, transformando toda a parte técnica em um dos grandes destaques do longa.
Vale a pena assistir Supergirl?
Supergirl é um filme que agrada principalmente pelo dinamismo. As lutas são constantes, os personagens funcionam bem e a protagonista recebe um desenvolvimento agradável.
Claro que não é uma obra revolucionária nem apresenta grandes diferenciais em relação a outros filmes de super-heróis. Ainda assim, dentro daquilo que se propõe a fazer, entrega uma experiência divertida, emocionante e competente, sendo inclusive superior a Superman em diversos aspectos.
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