Cook Island – Ilha do Sabor: Entrevista com Stenio Birth

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Stenio Birth, a gastronomia nordestina transcendendo regiões, como o chef paraibano tem contribuído para a queda do estereótipo culinário.

Um dos 12 participantes do reality culinário Cook Island – Ilha do Sabor, do GNT,
Stenio Birth, (38), é natural de Campina Grande e além de atuar como chef culinário,
é consultor gastronômico e criador de receitas. Com o bordão “Se me dá um limão,
eu faço um prato de entrada, um prato principal e uma sobremesa”, conquistou o
Brasil e foi um dos finalistas do programa culinário transmitido no canal fechado da
Rede Globo.
De volta à TV local, Stenio faz participação no programa Vou Te Contar, da Rede
TV, apresentado pela jornalista Claudete Troiano. No quadro, viaja por cidades do
estado da Paraíba enquanto ensina aos telespectadores receitas criadas por ele.

Quanto à gastronomia local – sua marca registrada -, o chef assume o compromisso
de desconstruir estereótipos impostos sobre a comida típica, afirmando que sente
prazer em transformar um simples ingrediente em alta gastronomia. Confira a
entrevista completa.

Seu nome é Stenio Nascimento Silva, certo? Então de onde surgiu o “Birth”?
Por Nascimento ser um nome muito popular, por assim dizer, e Silva também, vi que
para se destacar no mundo artístico seria interessante mudar, então resolvi deixar
bem característico, ou seja, com a minha persona, minha personalidade. Foi daí que
eu tive a ideia de buscar a tradução do Nascimento no Google e ele me deu Birth,
achei interessante e coloquei Stênio Birth.

Qual a diferença entre Stenio Nascimento Silva e Stenio Birth?
A diferença é pouca. Podemos dizer que o que muda são só dez por cento. Eu acho
que eu sou muito o Birth e o Nascimento, eles andam lado a lado.

Como você começou a se interessar por culinária e como isso evoluiu para sua
carreira de chef empreendedor?
Meu pai era mecânico, minha mãe era diarista e lavava roupa de ganho fora e eu
ficava em casa. Aos 15 anos de idade minha mãe e meu pai saíam pra trabalhar e
ela deixava o básico: o arroz, o feijão e algum tipo de mistura. E naquela época a
gente não tinha tanta condição de ter alguma carne. O básico era salsicha, ovo, kitut,
miúdos de boi e foi daí que eu fui vendo as revistas, ia lá nas últimas folhas e via
aquelas receitas italianas, francesas e a gente não tinha condição. O que a gente já
tinha eram os insumos simples: arroz, feijão e ovo. Como fazer uma receita
clássica? E foi daí que todos os dias eu fui querendo mudar e dar um sabor a um
arroz, um feijão, criar uma salada diferente. Isso com ovos, com o que eu tinha em
casa, obviamente que várias vezes queimei panela, deu errado, né? Já salguei
demais. Mas foi assim que surgiu e se desenvolveu a minha paixão, evolução e
amor pela culinária e gastronomia.

Como foi participar do reality? muitas portas foram abertas para você? Dá detalhes
pra gente de como foi essa produção, como é estar cercado por câmeras e qual a
sensação de ver seu trabalho sendo reconhecido dessa maneira.
Era o primeiro reality de desafio da GNT e passei 30 dias confinado em uma ilha
deserta com outros 11 chefs, tendo que lidar com fogo, sol e chuva. Várias câmeras
e mais de 300 profissionais envolvidos. Nós só não estávamos microfonados quando
estávamos dormindo. Então, eu entrei representando Campina Grande e no decorrer
fui representar a Paraíba. Percebi que estava ali pela Paraíba. Quando percebi que
fui o único nordestino que sobrou e, consequentemente, me tornei o melhor chef de
cozinha da nossa região, foi a mudança perfeita para mim. Após um ano, comecei a
colher esses frutos, o reality continua disponível no Globo Play e muitas coisas estão
acontecendo, como convites para outros realitys nacionais, que ainda não posso

revelar. Hoje eu estou em uma emissora nacional que é a RedeTV!. No fim,
aconteceu tudo muito rápido. Eu tive que administrar, pensando direitinho para que
eu não botasse os pés pelas mãos.

Como participar do Cook Island afetou sua perspectiva sobre a culinária? Quando o
assunto é criação, de onde vem a inspiração para novas receitas?
Voltamos para aquela pergunta sobre como eu iniciei. Toda a inspiração vem daí.
Não digo “dificuldade”, eu digo pelo pouco que se tinha. Então, pelo pouco que eu
tinha surgiram minhas criações e evolução profissional. Dentro do reality, a minha
chamada é: “se me dá um limão, eu faço um prato de entrada, um prato principal e
uma sobremesa”, porque além de chef e consultor gastronômico eu também sou
criador de receita. Pra mim, hoje, é uma satisfação pegar algum ingrediente e
transformá-lo. Elevar à alta gastronomia um insumo da nossa terra.

 

 

 

 

 

 

 

Qual é o papel da culinária na cultura e na sociedade em geral? Como ela pode ser usada enquanto ferramenta para conectar e unir as pessoas?

Hoje a culinária, principalmente a nordestina, está em alta em todo o Brasil, principalmente nas emissoras. Então, falar sobre os ingredientes do Nordeste, pra cultura, conta muito. Dentro do São João, por exemplo, eu digo que antigamente a nossa gastronomia era voltada só para o milho. Era pamonha e canjica. Hoje não, hoje a gente mostra que tem como vender o nosso cuscuz, a nossa carne de sol, a nossa macaxeira, tudo de forma diferente. Não só a raiz, mas uma raiz bem elevada, como um bom purê. Não é só comer um cuscuz com manteiga.

 

Claramente o seu trabalho possui uma identidade visual ligada à cultura nordestina e paraibana. Quando e por que decidiu incorporar esses aspectos?

Foi justamente quando me vi na obrigação de representar não Campina Grande em si, não a Paraíba, mas sim o Nordeste. A partir do momento que você chega, é reconhecido e recebe elogios por aquilo que faz, quando percebe que tá fazendo bem feito e com maestria, é gratificante, mas também uma responsabilidade muito grande levar a cultura nordestina para o Brasil, principalmente a comida. É algo que pra muitos é simples, mas é uma responsabilidade grande e ver a satisfação nos olhos de quem está consumindo é recompensador. Quando eu entro com o acessório, o meu chapéu de couro, é justamente pra dizer: “olha, aqui é do Nordeste”. Então eu fiz uma promessa comigo mesmo, que pra onde eu for, eu identificarei a gastronomia e a cultura nordestina através do meu chapéu.

Além de atuar como chef, você é influencer e trabalha com consultoria. Qual a sensação de ser seu próprio produto?

É complicado e também uma satisfação grande porque a partir do momento que você se torna – artisticamente falando – chef e aquele chef já vira um artista, você tem que ter o seu negócio, você vira um produto, você tem que ser assessorado por você mesmo. É satisfatório, mas ao mesmo tempo é complicado porque você tem que ter o comprometimento em mostrar um bom resultado diante ao público, diante do seu cliente.

 

O que acha sobre a “saída” da TV regional, para uma transmissão mais aberta e nacional?  E como acha que isso pode afetar o interesse de outras regiões pelo Nordeste e, especificamente, pela culinária paraibana?

O convite foi muito repentino. Muitas pessoas falavam que logo ia acontecer, mas permanece uma simplicidade em mim. Tem coisas que ainda não entendo e penso: “caramba, eu participei de um reality, isso tá acontecendo comigo!”. Empresas me contactando, estou em uma emissora nacional. É uma responsabilidade que carrego comigo. Então, por isso mesmo preciso ter maestria no que faço, porque dessa vez eu não estou apenas levando a gastronomia, mas sim, a cultura da Paraíba e do Nordeste.  

 

O que Stenio indivíduo e Stenio chef esperam do futuro? Qual legado quer deixar?

Eu não sou uma pessoa de pensar em futuro. Sou do fazer hoje e bem feito. Óbvio que eu tenho compromisso com o amanhã, mas também eu deixo a vida me levar. Tenho sonhos e eles vêm se concretizando, mas não a ponto de dizer: “eu quero, eu almejo”. Mas o legado sim, o legado que eu quero deixar é que a cultura nunca vai morrer. Basta alguém fazê-la bem feita. Quando alguém consegue transmiti-la de uma forma bonita, de uma forma realmente leve, como grandes nomes que passaram, como Luiz Gonzaga, Marinês que era daqui, Jackson do Pandeiro, assim se deixa um legado. E eu queria passar e pelo menos deixar uma largadinha, como se diz. Reafirmar que a gastronomia nordestina não se baseia apenas em cuscuz e macaxeira. 

FICHA TÉCNICA

Fotografia – Ana Luz, Emilly Oliveira e Paloma Jennifer.

Edição – Ana Luz.

Entrevista – Ana Luz e Yohana Stefany.

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