“A Odisseia” é, sem dúvidas, uma exímia adaptação para o cinema, mostrando que até mesmo um dos contos mais difíceis da literatura pode ser levado às telas sem perder sua essência.
A adaptação respeita a obra original sem complicar a narrativa
Assim como o poema, o filme apresenta acontecimentos fora da ordem cronológica. No entanto, tudo vai se encaixando aos poucos, tornando a história muito mais simples de acompanhar do que a obra original, mesmo preservando a riqueza de detalhes.
Claro que existem pequenas mudanças. A sequência do Ciclope, por exemplo, é diferente da apresentada no poema. Aqui, Odisseu (Matt Damon) não utiliza o famoso truque de dizer que se chama “Ninguém” antes de cegar a criatura. Ainda assim, a essência da cena permanece intacta, conduzindo aos mesmos acontecimentos e à fúria que transforma o mar em um ambiente cada vez mais hostil. São alterações pontuais que não comprometem a experiência e continuam honrando uma história escrita há milênios.
Nem todas as mudanças funcionam da mesma forma
Porém, alguns momentos poderiam ter recebido um desenvolvimento maior. A Guerra de Troia, por exemplo, acaba ficando um pouco em segundo plano. Não que seja ruim, pois esses acontecimentos continuam sendo fundamentais para a evolução do protagonista e para o entendimento de suas decisões no desfecho, mas acabou ficando quase que sem espaço em relação a obra inteira, já que temos cenas com muito mais tempo de tela.
Matt Damon lidera um elenco que entrega grandes atuações
Grande parte desse resultado das adaptações também passa pelas atuações. Matt Damon entrega um Odisseu convincente, transmitindo todo o peso emocional causado pelas decisões tomadas ao longo da jornada. Já Tom Holland, interpretando Telêmaco, demonstra versatilidade e consegue construir um personagem importante para a narrativa.
Robert Pattinson (Antínoo) consegue trazer toda a frieza para seu personagem, mostrando que ele quer o poder e é capaz de fazer tudo para isso. Já Anne Hathaway (Penélope), embora mais contida, consegue trazer um lado emocional excepcional.
Zendaya (Atena), embora teve poucas falas nesse filme, consegue trazer presença ao fazer a deusa, utilizando por muitas vezes apenas o olhar, mas dizemos muitas coisas.
E, por fim, Elliot Page (Sinon), até que consegue entregar um bom papel, o problema é que seu personagem demora para engrenar. Não sei se foi escolha do roteiro, mas essa foi a percepção.
Fotografia e trilha sonora ampliam a grandiosidade da aventura

Nos aspectos técnicos, tanto a trilha sonora quanto a fotografia elevam a experiência. As músicas, com forte influência orquestral, ajudam a nos transportar para aquele período histórico, enquanto a fotografia aproveita muito bem as paisagens e a iluminação natural para destacar a grandiosidade da jornada e tornar cada cena ainda mais impactante.
Claro que nas partes de cgi tem uma queda ou outra, como na parte do Cila que, por ser rápido, acaba não tendo aquela computação perfeita, mas é algo que dá para relevar e muitas vezes pode ser até imperceptível.
De resto, tanto o cgi como na parte mais prática conseguiram fazer um bom trabalho, principalmente quando junta os dois na mesma cena. O mar é um exemplo, já que o cgi consegue aumentar muito a escala daquele ambiente, ao mesmo tempo que temos água real, ajudando na veracidade das cenas em que a tripulação se molha ou tá entrando água dentro daquele barco.
Vale a pena assistir A Odisseia?
“A Odisseia” consegue transformar um dos maiores clássicos da literatura em uma adaptação cinematográfica envolvente, respeitando a essência da obra sem deixar a narrativa inacessível. Mesmo com pequenas mudanças e alguns momentos menos inspirados, o filme honra o legado do poema e entrega uma experiência digna de um épico.
“A Odisseia” estreia no dia 16 de julho de 2026 nos cinemas.
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