O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto vale o hype? Crítica do documentário

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“O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” é o retrato de uma chacina injusta, de um lugar que, para muitos, era um lar, transformando a dor de uns em uma memória para nunca mais ser esquecida, que, ao ultilizando-se de relatos para contar sua história, o documentário de Rosemberg Cariry, apresenta com exatidão cada detalhe de seus acontecimentos e, assim, transmitindo cada ponto de vista com cautela, sem cortar ou amenizar o que aconteceu, dando voz àqueles que viveram grande parte de sua vida naquele lugar.

E, além disso, ao tomar uma licença quase poética, utilizando-se de músicas para compor sua trilha sonora com músicas que tanto foram colocadas digitalmente quanto cantadas, transmitem um sentimento não de felicidade, mas quase fúnebre, além de regional, fazendo-nos perceber que, apesar de tudo, ainda sobrevive uma resistência cultural, dando voz para aquele povo para que nunca esqueçamos o que aconteceu numa época que muitos queriam que fosse escondida para debaixo dos panos.

Montagem e reconstrução da verdade de “O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto”

E tudo isso se funde junto com sua montagem, que, ao utilizar os dois lados da mesma moeda, tanto o dos civis quanto o das autoridades, consegue colocá-los em confronto e trazer a verdade à tona, mostrando toda aquela carnificina por meio de relatos tanto de oficiais quanto de pessoas comuns, além de recortes de jornais que nos mostram as notícias e, ao mesmo tempo, o som de bombardeio que no final, junto do silêncio o ensurdecedor que aparece em alguns momentos, nos leva à conclusão, mostrando toda aquela terra que um dia foi viva, agora morta, restando apenas suas ruínas, transmitindo o quão ruim foi  aquele conflito bélico assimétrico no Caldeirão. Um conflito que quase foi um segundo Massacre de Canudos.

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Divulgação/Ronaldo Nunes

Conclusão de O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto

“O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” é, certamente, um documentário que não pode passar despercebido. Este, sim, é um documentário que tem que ser passado a cada geração, para mostrar as injustiças de um passado que nossos pais ou avós viveram.

E agora, que está remasterizado em 4K e com o som melhorado, trazendo uma experiência mais imersiva, certamente é ideal para essas novas gerações verem tudo o que aconteceu e refletirem sobre o nosso passado para, assim, melhorar o nosso futuro.

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