O Sorveteiro vale o hype? Crítica do filme

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Dirigido por Eli Roth, “O Sorveteiro” traz sim uma proposta ousada ao colocar crianças em papéis bastante violentos, entregando uma violência gráfica típica de um bom slasher, mas acaba tropeçando ao longo do seu desenvolvimento narrativo.

O roteiro de “O Sorveteiro” é ágil, mas exagera nos diálogos expositivos

O roteiro em si é bastante ágil e apresenta uma introdução que nos leva quase imediatamente para o clima de terror. Em poucos minutos, conhecemos o vilão, os protagonistas e a premissa, até chegarmos efetivamente à parte slasher.

O problema é que, durante essa trajetória, o roteiro insere alguns diálogos e piadas que nem sempre funcionam. Em sua maioria, são falas bastante expositivas, que acabam deixando algumas situações menos naturais do que poderiam ser.

Porém, por se tratar de um slasher, um gênero no qual a brutalidade costuma ser um dos principais atrativos, é uma baixa que acaba sendo compreensível.

A abordagem mais sanguinária é bastante criativa. Ver crianças aparentemente “inocentes”, com manchas de sorvete na boca, orquestrando e realizando execuções frias e metódicas contra adultos cria aquele fator de horror desconcertante que o filme busca. Cada morte consegue ser mais criativa que a anterior.

​Por conta disso, a questão da história acaba nem tendo tanta relevância. Sim, um filme precisa ter história e admito que aqui a narrativa é fraca, mas o slasher consegue suprir com sobra o que a proposta do filme exige.

Os efeitos práticos tornam as mortes ainda mais grotescas

O Sorveteiro
Divulgação/Diamond Films

Os efeitos práticos também ajudam bastante nesse aspecto. Eles fazem com que as mortes sejam nojentas de uma maneira positiva, trazendo uma sensação mais tátil para a violência e enchendo a tela de sangue.

Claro que, em alguns momentos, é possível perceber certa artificialidade em uma morte ou outra, mas isso ainda se encaixa na proposta do filme e contribui para aquele aspecto exagerado que a produção pretende apresentar.

A fotografia cria um contraste interessante com o sangue

A fotografia também merece destaque justamente por não apostar em uma estética excessivamente escura. O filme utiliza ambientes iluminados, coloridos e aparentemente limpos, criando um contraste interessante com o vermelho intenso do sangue.

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Essa escolha visual faz com que a violência se destaque ainda mais, tornando as mortes visualmente impactantes justamente por acontecerem em cenários que, à primeira vista, parecem muito mais leves e inocentes.

O elenco mirim evolui ao longo da história

Nas atuações, o elenco mirim não decepciona, embora seja perceptível uma evolução conforme o filme avança. Inicialmente, os atores parecem mais rígidos, mas vão se soltando ao decorrer da história.

Essa evolução chega ao seu auge durante a grande confusão generalizada, quando o dinamismo e a parceria entre os três funcionam muito bem e ajudam a tornar aquela sequência mais envolvente.

Sarah Abbott se destaca entre o elenco

Porém, uma atriz que realmente se destaca do início ao fim é Sarah Abbott, intérprete de Lizzie. Ela consegue carregar muito bem o peso físico do desespero e transmitir um pânico genuíno durante as sequências em que a cidade se transforma em um verdadeiro pandemônio.

Ainda assim, sua atuação também esbarra nas limitações do roteiro, principalmente por conta de diálogos fracos e algumas reações exageradas. Porém, isso acaba sendo uma limitação que afeta praticamente todo o elenco, justamente por estar relacionada ao roteiro.

Vale a pena assistir “O Sorveteiro”?

Na minha opinião, “O Sorveteiro” vale a pena ser assistido, principalmente se você é fã de filmes slasher. Mesmo apresentando limitações no roteiro e alguns diálogos que não funcionam tão bem, a produção consegue compensar com mortes criativas, violência gráfica, bons efeitos práticos e uma proposta visual interessante.

“O Sorveteiro” estreia em 3 de setembro nos cinemas!


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