A Ilha Esquecida vale o hype? Crítica do filme

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Depois de “Gato de Botas 2”, Joel Crawford e Januel Mercado tinham a missão de provar que aquele refinamento estético e narrativo não havia sido um ponto fora da curva. E, com “A Ilha Esquecida”, a dupla mostra mais uma vez que a DreamWorks ainda tem fôlego para entregar boas histórias com visuais gratificantes.

“A Ilha Esquecida” constrói uma história sobre amizade, memórias e amadurecimento

O filme apresenta uma boa construção de universo, conseguindo misturar não só elementos dos anos 90 e mitologias que, pasmem, são baseadas em criaturas e tradições reais, mas também uma história principal cheia de altos e baixos ao tratar da grande amizade entre as protagonistas Jo e Raissa.

É uma amizade que vai se construindo ao mesmo tempo em que vai se destruindo, e o filme consegue mostrar essa evolução e essa queda de uma forma muito didática, mas também humana. São personagens que têm seus anseios, seus medos, características que vão sendo reveladas ao longo da trama.

O folclore filipino ganha um novo significado dentro da história

Claro, o filme tem seus tropeços. Em certos momentos, o roteiro traz diálogos bastante expositivos com algumas situações que se prolongam mais do que deveriam.

Porém, a capacidade de ressignificar o folclore filipino, mesmo de forma mais cartunizada e sem reduzi-lo a um mero pano de fundo exótico, acaba se sobrepondo a esses erros. O novo mundo e suas criaturas funcionam como um espelho emocional das dúvidas e dos traumas das protagonistas, transitando por mensagens como o medo de seguir em frente e a importância de preservar o nosso passado.

O filme mostra que as memórias são importantes para a construção do ser humano e que cada fragmento tem sua importância, mesmo quando esse pequeno fragmento de memória está impresso em um mero pingente que, para muitos, não teria importância.

A estética de “A Ilha Esquecida” mistura 3D, 2D e referências aos anos 80

A estética desse mundo é aconchegante e bela ao mesmo tempo. A mistura de 3D com pinceladas de 2D, acompanhada por uma estética bastante inspirada em anime, traz algo muito harmônico, sendo, em muitos momentos, quase tátil, como acontece com a pelagem de um dos personagens que aparecem no filme.

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Aliás, misturar essa identidade visual com a estética dos anos 90 foi uma boa sacada, ajudando a construir um mundo que consegue ser nostálgico sem deixar de apresentar sua própria identidade.

As cenas de ação são frenéticas e visualmente dinâmicas

Divulgação/Universal Pictures

Quanto à ação, ela consegue ser 100% frenética, trazendo dinamismo para a trama e fazendo com que a gente fique preso naquele emaranhado de cores e movimentos bastante fluidos. A animação utiliza essa velocidade para tornar os momentos de ação visualmente empolgantes, mantendo o ritmo da história.

A dublagem mantém uma boa harmonia entre os personagens

A dublagem, por si só, é agradável, trazendo uma boa harmonia para os personagens e sem soar artificial. As vozes conseguem acompanhar o tom da produção e contribuem para que a experiência seja natural.

A trilha sonora une cultura filipina e nostalgia

A trilha sonora, assinada pelo compositor filipino-americano Nathan Matthew David, constrói uma paisagem sonora viva, onde a identidade cultural filipina e a nostalgia dos anos 90 não apenas se encontram, mas se alimentam dramaticamente.

O resultado traz o equilíbrio que o filme tanto preza, cheio de referências ao passado e, ao mesmo tempo, com um forte punhado de cultura, fazendo com que esses elementos estejam integrados à identidade da obra.

Vale a pena assistir “A Ilha Esquecida”?

Certamente, “A Ilha Esquecida” é um espetáculo visual de enorme apelo emocional que consagra o ótimo momento criativo do estúdio. Mesmo com alguns tropeços no roteiro, a produção consegue construir um universo próprio, trabalhar temas relacionados à amizade e às memórias e utilizar o folclore filipino de maneira significativa.

Além disso, o filme entrega um terceiro ato capaz de emocionar e reforça que o refinamento apresentado pela DreamWorks em “Gato de Botas 2” não foi apenas um acaso, mas parte de um momento criativo que ainda tem muito a oferecer.

O filme terá exibições a partir de hoje na semana do cinema!

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