“Elize: Sombras de uma Mulher”, novo filme da Netflix, revisita um dos casos criminais mais conhecidos do Brasil: o assassinato de Marcos Matsunaga por sua esposa, Elize Matsunaga, em 2012. Diferentemente do documentário lançado pela plataforma em 2021, o longa é uma obra de ficção inspirada em fatos reais, misturando acontecimentos documentados com cenas e diálogos criados pelos roteiristas.
Por isso, muitos espectadores têm se perguntado quais momentos realmente aconteceram e quais foram modificados para a adaptação cinematográfica.
O relacionamento entre Elize e Marcos aconteceu como no filme?

Em grande parte, sim. Elize realmente trabalhava como acompanhante quando conheceu Marcos Matsunaga. Os dois iniciaram um relacionamento, ele se separou da esposa anterior e os dois construíram uma vida juntos, chegando a ter uma filha.
No entanto, o filme encurta bastante a cronologia dos acontecimentos. Enquanto a produção apresenta a relação se desenvolvendo e se deteriorando em poucos anos, na vida real o relacionamento durou cerca de oito anos antes do crime.
As traições de Marcos são reais?

Sim. As investigações mostraram que Marcos mantinha relacionamentos extraconjugais. Elize chegou a contratar um detetive particular para confirmar suas suspeitas, e as informações coletadas fizeram parte do processo.
Esse é um dos pontos mais documentados do caso e aparece de forma relativamente fiel no filme.
Marcos realmente agredia Elize?

Essa é uma das áreas mais controversas da história. Durante seu depoimento, Elize afirmou ter sofrido agressões físicas e psicológicas do marido e disse que ele chegou a ameaçá-la durante discussões.
Porém, muitas das cenas mostradas no filme são baseadas na versão apresentada por ela. Não existem provas que confirmem todos os acontecimentos exatamente da forma como aparecem na tela.
O plano para internar Elize existiu?

No longa, Elize passa a acreditar que Marcos pretendia interná-la em uma clínica psiquiátrica e tirar a guarda da filha.
Na vida real, esse medo foi mencionado pela própria Elize após o crime. Entretanto, não há comprovação pública de que Marcos realmente estivesse organizando um plano para interná-la. O filme transforma esse receio em um elemento central da narrativa.
Marcos internou a primeira esposa?
Não existe comprovação disso. O filme sugere que Marcos teria participado da internação psiquiátrica de sua ex-esposa, criando um paralelo com os medos de Elize.
Entretanto, reportagens e livros sobre o caso apontam que a situação foi muito mais complexa e não há evidências públicas de que ele tenha arquitetado a internação para se livrar da companheira.
O disparo aconteceu daquela forma?

O assassinato de Marcos Matsunaga é um fato comprovado. Elize confessou ter atirado no marido e posteriormente esquartejado o corpo.
O que permanece incerto é a dinâmica exata da discussão que antecedeu o disparo. Como apenas Elize estava presente no momento do crime, boa parte do que é mostrado no filme representa uma interpretação baseada em seu relato.
As cenas da infância de Elize são verdadeiras?
O filme mostra episódios traumáticos envolvendo a juventude da protagonista. Algumas dessas situações têm origem em relatos apresentados durante o julgamento, incluindo acusações de abuso sexual feitas por familiares.
Entretanto, muitos detalhes foram dramatizados para construir a trajetória emocional da personagem e não podem ser considerados reconstruções exatas dos acontecimentos.
O que é totalmente real na história?

Os principais fatos do caso são verdadeiros. Elize trabalhou como acompanhante, conheceu Marcos Matsunaga, os dois se casaram, tiveram uma filha, enfrentaram problemas no relacionamento e o empresário foi morto em maio de 2012.
Também são fatos comprovados a contratação de um detetive para investigar as traições, o disparo contra Marcos, o esquartejamento do corpo e a condenação de Elize pela Justiça brasileira.
Afinal, o filme é fiel à realidade?
“Elize: Sombras de uma Mulher” utiliza acontecimentos reais como base, mas não pretende funcionar como um documentário. A produção recria conversas, emoções e situações privadas que nunca puderam ser comprovadas pelas investigações.
Por isso, a melhor forma de encarar o filme é como uma dramatização inspirada em fatos reais. Os acontecimentos centrais permanecem os mesmos, mas muitas motivações, diálogos e conflitos foram adaptados para criar uma narrativa mais intensa e cinematográfica.
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