“O Velho Fusca” pode até ter chegado com uma proposta bem-intencionada e um ou outro momento de emoção, mas, infelizmente, falha em sua execução geral. O longa patina ao tentar equilibrar gêneros distintos, resultando em uma obra que não encontra seu tom ideal.
Roteiro Previsível e Oscilações de Tom
Desde os minutos iniciais, a trama acompanha o jovem Junior (Caio Manhente), que descobre um Fusca 1976 abandonado na garagem de seu avô, Américo (Tonico Pereira), revela ter roteiro previsível, apresentando situações desconexas, piadas excessivamente expositivas e constantes quebras de clima, transitando de forma brusca entre o drama do avô amargurado e situações aleatórias envolvendo o restaurante, a família ou os amigos de Junior, que pouco agregam ao impacto emocional. Além disso, o uso de estereótipos datados sobre a “Geração Z” acaba drenando a tensão que a história tenta construir.
Elenco de Peso no “Piloto Automático”

As atuações, mesmo contando com nomes consagrados como Tonico Pereira, Cleo e Danton Mello, infelizmente deixam a desejar. O roteiro parece limitar o talento desses atores, que operam em uma espécie de “piloto automático”, assemelhando-se a esquetes de comédia rápidas sem o peso dramático necessário, fazendo parecer que só estão para preencher lacunas de roteiro. Dito isso, podemos dizer que é o clássico caso onde o texto não fornece o subsídio necessário para que o ator entregue uma performance memorável, pois sabemos que eles são bons, mas, ao serem limitados por piadas genéricas e clichês na composição de seus papéis, os personagens acabam se tornando meras ferramentas funcionais do roteiro, carecendo de vida própria e profundidade.
Redenção Tardia e o Excesso de Músicas
Porém, o arco de Américo até ganha força em sua reta final, focando na reconciliação com os filhos e entregando o peso dramático que deveria estar presente em toda a obra, já que consegue fazer a gente lembrar de nossas famílias e parentes que se foi. No entanto, deixar essa carga emocional apenas para os últimos minutos, sem uma construção sólida, esvazia o impacto do desfecho.
Conclusão: Uma Mistura de Gêneros que não Funciona
Em suma, “O Velho Fusca” sofre com sua própria indecisão. Ao tentar ser comédia e drama simultaneamente, sem uma direção firme, o filme acaba estagnado. Embora possua começo, meio e fim, a execução rasa impede que a carga dramática pretendida realmente floresça, transformando o que poderia ser uma jornada emocionante em um entretenimento superficial.
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