“O Morro dos Ventos Uivantes” vale o hype? Crítica do filme

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“O Morro dos Ventos Uivantes” é uma obra curiosa que certamente irá intrigar o público, já que, para o bem ou para o mal, diverge consideravelmente de sua fonte original, deixando de ser algo puramente emocional e intelectual para se tornar explosiva e sensual. Nessa transição, a essência reflexiva do livro é preterida em favor de um dinamismo projetado para arrebatar as multidões por meio de estímulos puramente comerciais e sensoriais.”

O Morro dos Ventos Uivantes Do lirismo infantil ao épico “Dark Romance”

Todavia, o filme, mesmo com esse natureza sensual e intensa, não pode deixar isso desde o início. Com os personagens ainda crianças, o desenvolvimento é obrigatoriamente e consegue fazer isso com sutileza entre os protagonistas, construindo o afeto que, no futuro, se tornará uma obsessão. Porém, essa delicadeza fica restrita ao prólogo. Assim que a trama migra para a fase adulta, o desenvolvimento psicológico é deixado de lado em favor de algo intenso e épico. Mas, embora falte profundidade sentimental ao decorrer do filme, o elenco consegue extrair o melhor de cada cena.

O poder do elenco: Margot Robbie, Jacob Elordi e o brilho de Hong Chau

Mas, como é possível que os atores mandem bem mesmo com essa falta de profundidade? A diretora Emerald Fennell faz com que cada ator cause um impacto imediato. Margot Robbie traz um peso impressionante; cada olhar e expressão consegue transmitir emoção sem que uma única palavra seja dita. É possível distinguir claramente quando seu rosto está sem vida e quando ele se ilumina com o retorno de seu verdadeiro amor.

 

Enquanto isso, Jacob Elordi surge imponente, com uma presença marcante que vai além de sua altura, utilizando gestos e falas que mostram sua obsessão e desejo que dão novo significado para suas cenas. Contudo, quem realmente rouba a cena em seus momentos é Hong Chau. Ela serve como a base sólida do longa. Enquanto os amantes vivem emoções extremas, ela se destaca como um “elogio à sanidade” — uma personagem pé no chão, irônica e ácida, que observa silenciosamente o absurdo daquela história. Sua atuação primorosa mostra o quão necessária ela é para equilibrar a narrativa.

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Técnica impecável: Uma fotografia que sufoca

O morro dos ventos uivantes

No aspecto técnico, o filme beira a perfeição. Cada sombra, luz, som e nota da trilha sonora trabalham para criar a maior imersão possível. A fotografia, em vez de ser suave como em romances tradicionais, é pesada e densa, consumindo cada cenário com tons frios e escuros. Os closes fechados nos personagens transmitem a tristeza de suas almas e uma sensação de claustrofobia quase sufocante, acentuada pelas paredes da mansão que parecem “engolir” os presentes com suas texturas viscerais.

Mesmo quando o cenário se abre para a vastidão da natureza, a direção de som e a fotografia colaboram para criar um ambiente barulhento e saturado, que foge do natural. O resultado é uma sensação de sufoco constante, tornando a natureza tão tóxica quanto o romance sombrio dos amantes.

Estética de videoclipe vs. Profundidade psicológica

No entanto, apesar das atuações excepcionais e do rigor técnico, o enredo carece de fôlego. O ritmo é tão intenso que acaba atropelando o desenvolvimento psicológico, resultando em um filme “bonito de ver, mas difícil de sentir”. Ele remete à estética de videoclipes modernos ou de grandes blockbusters, onde o visual é o protagonista, mas o significado profundo se perde. O longa acaba se tornando um épico dark romance visualmente deslumbrante, mas que pode decepcionar quem busca a densidade de Emily Brontë.

Conclusão: O Morro dos Ventos Uivantes Vale o ingresso?

Em suma, esta nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes possui um charme próprio, ainda que se distancie da obra original em pontos cruciais. Se o filme se consolidará como um clássico memorável ou se será apenas um sucesso passageiro de bilheteria, o tempo dirá. Porém, para os entusiastas do livro de Emily Brontë, ainda acho que a obra é uma recomendação válida, proporcionando a oportunidade ideal para que cada um tire suas próprias conclusões sobre essa nova visão da história.

Confira o trailer:

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