A Netflix reforça sua estratégia de investir em thrillers criminais de consumo rápido com a estreia de Dele & Dela, nova minissérie baseada no best-seller de Alice Feeney. Dessa vez, a plataforma entrega uma adaptação pensada para o binge-watching, priorizando ritmo acelerado e mistério constante, ainda que isso ocorra em detrimento de camadas psicológicas mais densas presentes na obra literária.
Assim como outras produções recentes do streaming, Dele & Dela se encaixa no formato ideal para quem busca entretenimento imediato. No entanto, essa escolha narrativa também levanta questionamentos sobre o quanto a série aprofunda seus temas centrais.
Trama e protagonismo em Dele & Dela
A narrativa acompanha a jornalista Anna Andrews , interpretada por Tessa Thompson , que retorna à sua cidade natal para cobrir um assassinato brutal. Contudo, o caso rapidamente se torna pessoal. Isso porque a investigação a coloca frente a frente com Jack Harper ( Jon Bernthal ), o delegado responsável pelo crime e também alguém com quem Anna compartilha um passado íntimo e mal resolvido.
À medida que a investigação avança, a série constrói um jogo de desconfiança mútua. Ambos os protagonistas aparecem como possíveis suspeitos, enquanto a pequena cidade revela uma teia de segredos, mentiras e relacionamentos mal explicados. Dessa forma, Dele & Dela se apoia no clássico cenário de “cidade pequena com segredos obscuros”, bastante familiar ao gênero.
Direção e atuações sustentam o suspense
A direção é dividida entre William Oldroyd (Lady Macbeth) e Anja Marquardt (The Girlfriend Experience). Juntos, eles apostam em uma condução discreta, que evita excessos visuais e deposita grande parte do peso dramático nas atuações do elenco principal.
Nesse sentido, o desempenho dos protagonistas se destaca:
- Tessa Thompson entrega uma Anna Andrews marcada pela fragilidade emocional, mas também por uma ambiguidade moral que flerta com a vilania.
- Jon Bernthal, por sua vez, se afasta do arquétipo de “brutamontes” e constrói um policial silencioso, traumatizado e constantemente à beira do colapso.
Assim, mesmo quando o roteiro opta por soluções mais simples, as atuações ajudam a manter o espectador envolvido.
Adaptação, ritmo e escolhas narrativas de Dele & Dela
Desde o episódio piloto, Dele & Dela demonstra eficiência ao fisgar o público. Isso ocorre graças a uma edição ágil, episódios com menos de 40 minutos e uma estrutura pensada para maratonas rápidas. Além disso, o uso constante de pistas falsas e flashbacks mantém a sensação de suspense ativa.
Entretanto, essa mesma agilidade cobra seu preço. Questões mais delicadas exploradas no livro de Alice Feeney como dependência química e violência doméstica são relegadas ao segundo plano. Em seu lugar, a série aposta quase exclusivamente no jogo de “quem matou?”, reduzindo a complexidade psicológica dos personagens.
Vale a pena assistir Dele & Dela?
No fim das contas, Dele & Dela cumpre exatamente o que se propõe: entregar um suspense criminal eficiente, envolvente e fácil de consumir. Embora não aprofunde temas mais espinhosos, a minissérie se destaca pelo carisma do elenco e pelo ritmo constante.
Portanto, para quem busca um thriller rápido, ideal para um fim de semana, a nova aposta da Netflix se mostra uma escolha segura ainda que não inesquecível.
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