O filme “A Noiva!”, embora seja visualmente deslumbrante com sua estética punk e uma boa fotografia que remete aos anos 30, ainda sofre com sua evolução e o acúmulo excessivo de gêneros, se tornando confusa e prejudicando a imersão que o longa tenta construir.
Um primeiro ato teatral e o ritmo da narrativa
Seu primeiro ato, ao tentar imprimir um ar mais filosófico com frases teatrais para expor a dor e os anseios da protagonista, acaba não se encaixando bem com o desenvolvimento inicial da personagem. Essa escolha prejudica a imersão logo de cara e, infelizmente, atrasa o crescimento da protagonista como indivíduo. O filme só ganha uma guinada real do segundo ato para o final, onde finalmente percebemos o que a obra realmente deseja transmitir.
A mistura de gêneros: Frankenstein encontra Bonnie e Clyde
Essa inconsistência é acompanhada por uma mistura de gêneros arriscada. O filme não se limita a ser um movimento punk ou uma releitura do mito de Frankenstein; ele tenta fundir essa estética a uma trama policial que remete a Bonnie e Clyde. Essa combinação nem sempre funciona. Entre um corte e outro, o espectador é arrancado da imersão.
Justo quando começamos a nos importar com o desenvolvimento emocional dos dois “monstros”, o roteiro nos joga em uma investigação policial sem grande impacto. Essa escolha retira a profundidade que o relacionamento entre os protagonistas conseguiu construir, dando a sensação de que estamos assistindo a dois filmes diferentes que se unem apenas por conveniência do roteiro.
Atuações poderosas: Christian Bale e Jessie Buckley
Apesar das falhas estruturais, o elenco principal rouba a cena. A relação construída entre Christian Bale e Jessie Buckley entrega a química necessária para sustentar a obra, mesmo quando são interrompidos pelas cenas dos detetives.
Jessie Buckley, por sua vez, entrega uma performance extremamente performática. Mesmo quando o roteiro não ajuda, sua expressão corporal e gesticulação engolem o cenário, transitando da mais leve expressão até explosões de fúria onde cada movimento parece friamente calculado. Já Christian Bale consegue entregar um monstro digno de pena e, apesar da pesada maquiagem, mantém uma expressividade profunda no olhar. Os dois são decisivos para manter o filme em pé, transformando as cenas performáticas em um “videoclipe” de altíssima qualidade.
Direção técnica e estética melancólica
Como mencionado, tanto a estética punk dos figurinos quanto a fotografia e a maquiagem são os grandes pontos positivos. Essa combinação gera um peso melancólico certeiro para o cenário, servindo como um lembrete constante de que aquela história dificilmente terá um final feliz. É um deleite visual que honra a ambientação histórica e o gênero de horror gótico.
Conclusão: uma produção de qualidade, apesar do roteiro
Em suma, “A Noiva!” poderia ser uma produção definitiva se não fosse pelo roteiro confuso. No entanto, o filme ainda entrega elementos excelentes: um elenco de peso e uma direção técnica primorosa. É um entretenimento que ainda agrada, apesar dos erros de evolução na condução da história.
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