Amyr Klink certamente foi um homem corajoso, pois fazer uma travessia pelo Oceano Atlântico durante 100 dias não é para qualquer um e quase 100% da população desistiria diante de uma jornada como essa. Por conta disso, hoje temos este filme que, embora conte com licenças poéticas para alterar alguns acontecimentos, consegue traduzir bem toda essa coragem.
“100 Dias” mantém o interesse mesmo com um protagonista praticamente sozinho
O filme é bem construído e consegue se manter focado em seu personagem, transmitindo um equilíbrio que foge da monotonia ao desenvolve-lo, mostrando seus medos, seus atos de coragem e sua luta para enfrentar os fantasmas do passado.
Claro que, para que isso fosse possível, alguns flashbacks foram utilizados, mas certamente ajudam nesse processo e fazem com que a trama evolua gradativamente, dando a cada cena seu espaço certo para prosseguir. Dessa forma, o filme consegue mostrar quase de maneira didática como foi aquela jornada e tudo o que Amyr precisou enfrentar, resumindo um pouco da história que conhecemos.
Filipe Bragança entrega uma atuação convincente como Amyr Klink

Filipe Bragança, que interpreta Amyr Klink, foi a escolha certa para o papel. Ele consegue trazer toda a carga emocional necessária, além de apresentar uma aparência física bastante convincente. Se vocês olharem fotos antigas do navegador e, ao mesmo tempo, observarem o ator, é possível perceber algumas semelhanças.
Claro que apenas a aparência não é suficiente, mas sua atuação consegue ir além disso, trazendo um bom tom dramático e realista para esse filme biográfico.
Os personagens coadjuvantes equilibram o passado e o presente
Os atores coadjuvantes, embora não tenham tanto destaque, já que estamos acompanhando uma jornada mais solitária, também apresentam uma boa entrega. Tanto os atores mais jovens quanto aqueles que interpretam a família de Amyr ajudam a criar um equilíbrio entre seu passado e seu presente.
Mas, Philippine Leroy-Beaulieu, que interpreta a mãe do personagem, merece destaque principalmente por conseguir trazer uma boa carga dramática, estando presente tanto fisicamente quanto emocionalmente na trajetória de Amyr.
A parte gráfica valoriza a imensidão e a força do mar
Tecnicamente, o filme é um agrado. A parte gráfica, principalmente quando se trata da imensidão do mar, foi muito bem realizada. Isso fica ainda mais evidente nas partes mais turbulentas e desesperadoras, mostrando o trabalho que a equipe conseguiu realizar para representar esses momentos.
A trilha sonora reforça a solidão da jornada
A trilha sonora, assinada por Tuomas Kantelinen, consegue retratar muito bem a solidão do mar e a turbulência dos momentos mais inesperados. A música acompanha a jornada sem deixar de transmitir as diferentes sensações enfrentadas pelo protagonista.
A direção de arte recria o barco e a época com realismo
Na direção de arte, o barco é um dos elementos mais espetaculares. A réplica, quase realista em comparação com aquilo que vemos nas fotografias, traz mais veracidade para a trama, junto com a recriação daquela época, onde os cenários foram muito bem construídos e ajudam a tornar a experiência mais imersiva.
A fotografia transforma o mar em um reflexo da solidão psicológica
Na fotografia, o filme consegue criar uma paleta que valoriza a imensidão daquele ambiente. Ao mesmo tempo, a utilização da luz e da escuridão consegue representar tanto a esperança quanto a solidão psicológica vivida pelo protagonista ao longo da jornada.
Vale a pena assistir “100 Dias”?
“100 Dias” certamente é um bom trabalho e consegue contar, à sua maneira, uma das histórias mais impressionantes de nossa navegação. O filme transmite não apenas uma solidão inabalável, mas também uma esperança implacável.
Certamente é uma produção que vale a pena ser vista por quem deseja conhecer mais sobre essa história e entender um pouco da jornada enfrentada por Amyr Klink durante sua travessia pelo Oceano Atlântico.
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