Dirigido por Jacob Chase, “Sobrenatural: Agora Entre Nós” é um filme eficaz, capaz de equilibrar com precisão momentos de genuína tensão e boas risadas, além de trazer reviravoltas inesperadas que renovam a franquia.
O filme expande o universo de Sobrenatural com uma nova história
Contando com novos personagens e uma figura já conhecida pelos fãs, o filme mostra um desenvolvimento gradualmente agradável, entregando não só o terror ao qual já estamos acostumados na franquia, mas várias explicações inéditas para que essa história se expanda, aprofundando diversas questões que julgávamos já concluídas no filme anterior. Algo que, para um novo filme, é interessante.
Um exemplo é o Além, já que traz muitos elementos relacionados à Porta Vermelha — elementos inesperados, mas interessantes para um eventual futuro da franquia, como o fato de uma porta vermelha sempre surgir quando outra desaparece.
O novo vilão é outro grande exemplo. Ele traz uma ameaça muito mais tangível para a franquia, atuando não apenas no plano espiritual, mas transportando o perigo para o mundo real. Afinal, o longa introduz a ideia de que esses seres, por meio da nossa protagonista, conseguiriam atravessar para a nossa realidade e dominar o plano material. Assim, o filme apresenta não só uma nova ameaça, mas traz de volta criaturas com as quais já estamos acostumados, como a Noiva de Preto e o Demônio do Rosto Vermelho. É uma direção que se aproxima mais de um blockbuster, mas que funciona perfeitamente dentro da proposta desta nova história.
O roteiro apresenta algumas decisões mal explicadas

Claro que algumas coisas poderiam ter sido melhor desenvolvidas. Algumas decisões do roteiro não são muito bem explicadas, como o fato de a entidade esperar 20 anos para realizar tudo aquilo com Gemma, enquanto não demora tanto para tentar capturar sua filha.
Além disso, o filme demora um pouco para engrenar em determinado momento, apresentando algumas partes mais paradas. Ainda assim, isso não chega a prejudicar completamente a experiência, já que a obra consegue manter uma linha relativamente equilibrada entre seus momentos de terror, tensão e ação.
Amelia Eve e Lin Shaye se destacam nas atuações
Nas atuações, todo o elenco se sai bem. A protagonista Gemma, interpretada por Amelia Eve, consegue transmitir muito bem o clima de tensão exigido pela história, enquanto Lin Shaye, novamente como Elise, traz aquele ar de segurança para o filme e se torna um dos principais elementos responsáveis por manter a personalidade da franquia.
Brandon Perea, Maisie Richardson-Sellers e Sam Spruell também entregam atuações competentes, mesmo que não tenham tanto destaque quanto as duas protagonistas.
Direção e fotografia recuperam a atmosfera de Sobrenatural
Na parte técnica, é onde a produção realmente se destaca. A direção de Jacob Chase consegue recuperar aquele ar de estranheza característico da franquia, enquanto a fotografia de Dave Garbett trabalha bem os dois mundos, tanto o sobrenatural quanto o real, misturando-os de maneira agradável para criar uma atmosfera constante de tensão.
Efeitos visuais apostam no grotesco
Os efeitos visuais também contribuem bastante, principalmente nos closes e em uma sequência de montagem que aposta no grotesco.
Isso fica ainda mais evidente nas cenas em que Gemma está no consultório onde trabalha. Os momentos em que ela precisa remover um dente, ou até mesmo os simples closes da boca, são excepcionalmente incômodos. E, nesse caso, isso acaba sendo algo positivo, já que o desconforto provocado pelas imagens combina perfeitamente com a proposta do terror.
Som e trilha sonora mantêm o clima de terror
O trabalho de som e a trilha sonora também continuam excepcionais para manter a atmosfera de terror. Esses elementos ajudam a construir tensão e fazem com que os momentos sobrenaturais tenham ainda mais impacto.
Vale a pena assistir “Sobrenatural: Agora Entre Nós”?
“Sobrenatural: Agora Entre Nós” consegue se sobressair dentro da franquia justamente por seguir um caminho diferente. Essa mudança ajuda a torná-lo uma experiência mais particular, mesmo que alguns problemas de roteiro impeçam o filme de alcançar todo o seu potencial.
Ainda assim, é uma produção que vale a pena para quem gosta da franquia e para os fãs de terror, entregando momentos de tensão, cenas grotescas e até algumas situações capazes de arrancar boas risadas.
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